A matemática não é bruxaria, mas a arte de domar demônios

Era uma manhã fria de inverno. O parque de La Tête d’Or estava encoberto por uma penumbra que acalmava os sentidos. As árvores, de almas brandas e despidas de folhas, pareciam sem vida, castigadas pelo furor congelante dos ventos de janeiro, esperando pacientemente a primavera. Os gansos que povoam o parque não davam sinais de existência, e somente o crocitar dos corvos ressoava no campo. Nesse dia, eu daria minha primeira aula de matemática, em francês, na universidade em que realizo minhas pesquisas. Meu orientador, professor responsável pela turma, viajaria e eu assumiria seu lugar durante sua ausência.

Da mesma forma que aprender uma nova língua possibilita o descobrimento de novos mundos, a matemática oportuniza a descrição e comunicação verdadeira de diversos fenômenos que nos cercam. As belas e elegantes estruturas dos flocos de neve, a descrição dos movimentos dos corpos celestes, a possibilidade de nos comunicarmos com pessoas que estão do outro lado do planeta. Esses são poucos exemplos, pois seria impossível elencar todas as coisas em que a matemática está presente, porque ela está presente em tudo.

Fazer matemática vai muito mais além do que realizar cálculos e saber aplicar fórmulas. Envolve o aprimoramento da mente, do raciocínio lógico, da capacidade de abstrair, generalizar e convocar propriedades para que no fim, depois de muito trabalho e erro, a solução para um problema ou a criação de novos objetos matemáticos ocorra de forma elegante e correta. Afinal, um matemático é alguém que encontra prazer em navegar na própria ignorância até que consiga produzir uma pepita de verdade absoluta (Mercat, 2017).

Todos sabem que existe uma grande resistência à matéria em todos os âmbitos da sociedade. Clique aqui para ler o texto completo…

Professor de Matemática. Estudante de Doutorado em Educação Matemática. Também fotografo garotas de lingerie, sério.

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Professor de Matemática, Pesquisador e Fotógrafo.

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