Amor e Matemática

Foi o livro, homônimo a essa publicação, do matemático Edward Frenkel, que me fez criar este espaço sobre matemática. Nele, o autor descreve sua jornada para tornar-se matemático, revelando o lado da matemática que a maioria de nós desconhece, aquele que está impregnado com a beleza e a elegância de uma obra de arte.

Não sou um bom matemático. Na verdade, não sou um matemático. Digamos que eu seja frustrado com meu conhecimento na área, pois não dei a importância necessária durante minha graduação e, tampouco busquei alternativas para desenvolver minhas habilidades durante todos esses anos. Sim, já faz 10 anos que comecei minha jornada de estudos.

De fato, minha primeira escolha na graduação foi Ciências da Computação, mas não obtive êxito no vestibular. Sabendo que a concorrência para o curso de Matemática era muito baixa, bastaria que me esforçasse quase nada para poder ter um escape no ano decorrente ao final do Ensino Médio. Pois bem, passei e iniciei o curso.

O primeiro choque aconteceu quando percebi que a Matemática Universitária é, absurdamente, diferente daquela que eu tinha visto em todo o Ensino Fundamental e Médio. Na escola, somos praticamente calculadoras. Na universidade, devemos aprender a pensar matematicamente e isso pode ser algo, tremendamente, frustrante e traumatizante para muitas pessoas. Eu fui uma delas.

No entanto, meu fracasso não me fez perder o gosto pela disciplina. Meu maiores espelhos na vida, depois dos meus pais, foram e são, meus professores e professoras de matemática. Acreditava que eles tinham algum tipo de poder e inteligência sobre-humana para conseguir resolver problemas e falar em uma linguagem capaz de descrever e modelar os fenômenos mais complexos que experienciamos na natureza.

Fui acolhido na Universidade de Lyon, na França, pelo meu orientador Chrisian Mercat, para fazer um doutorado em Educação Matemática, trabalhando no desenvolvimento de tecnologias educacionais (jogos) para o aprimoramento do Pensamento Matemático Criativo. Durante os anos da minha pesquisa, percebi que existe uma falha imensa na comunicação entre professores e alunos – Não precisa fazer doutorado para perceber isso. Grande parte dos professores de matemática acredita que seus alunos são muito fracos para acompanhar a disciplina e, grande parte dos alunos pensa que seus professores são ruins demais para fazê-los gostar da disciplina.

Creio que: como professores, devemos reconhecer que não teremos alunos ideais, que saibam tudo, porque senão, não precisaríamos ensinar nada. Também devemos admitir que: a dinâmica na qual os estudantes aprendem, nos dias atuais, necessita de uma atenção especial, principalmente, motivacional e afetiva. Quero dizer, se temos salas lotadas no Ensino Fundamental e Médio, não conseguiremos dar atenção individualizada e específica para cada aluno de acordo com suas necessidades e habilidades cognitivas. Sabemos que existem várias formas de aprender alguma coisa e, utilizando somente o método tradicional, pode ser que os objetivos educacionais de uma instituição e do indivíduo não sejam atendidos. Assim, todos falham.

Para obter sucesso, ambos, estudante e professor, devem saber exercer sua profissão. Ou seja, o estudante deve saber estudar e de fato, estudar. E o professor, por sua vez, precisa dominar o exercício do ensino. Ainda, a obrigação da administração pública é fornecer e garantir os meios para que o processo educacional aconteça de maneira efetiva. Parece óbvio, mas a situação da educação em nosso país evidencia que não é tão simples pôr em prática tais obviedades.

Buscando auxiliar e contribuir um pouco para o cenário na Educação Matemática, criei esta página para tratar de assuntos relacionados à matéria. Aprender matemática é um processo que necessita de bastante dedicação, treino, exercício e, principalmente, errar muito. Por isso, podemos compará-la com um romance.

Uma ótima jornada a todos.

Um abraço,

O conhecimento matemático é diferente de qualquer outro conhecimento. Embora nossa percepção do mundo físico possa ser sempre distorcida, a nossa percepção das verdades matemáticas não pode ser. Estas são verdades objetivas, persistentes, necessárias. – Edward Frenkel.

Professor de Matemática. Estudante de Doutorado em Educação Matemática. Também fotografo garotas de lingerie, sério.

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Professor de Matemática, Pesquisador e Fotógrafo.

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